quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia 01-10-2009

Exausta. Essa é a palavra que me define hoje. No momento são 00h35, e estou morrendo de fome, cansaço, dor nas costas, nos braços, mas o que importa, feliz. Acordei as 13h.... Ráááá... enganei a todos, rs, 13h do Brasil, 8h daqui. Meu celular despertou e resolvi dormir mais 5 minutinhos, quando de repente o sino da igreja começou a soar, pensei: “Isso é um sinal divino, nada de minutinhos”. Me levantei e foi o espanto da casa... rs. To com o filme queimado mesmo... rs. Tomei meu divino banho, me arrumei, fiz meu café da manha e parti puta e bolada para um centro de acolhimento aqui perto de casa que presta serviços a imigrantes. Ao chegar fui muito bem atendida. Um senhor fez meu cadastro e me encaminhou minutos depois para uma mulher. Essa mulher fez uma entrevista comigo, diga-se de passagem em italiano, ou seja, jajá to fera nisso, e paguei o valor de 2 euros pelo curso. Começo na segunda, dia 5. O Sidney já disse que não é pra criar muita expectativa com o curso porque ele é bem básico, mas de qualquer jeito, como estou estudando em casa, levo dúvidas para tirar no curso, assim já me vale alguma coisa. Amanhã vou tentar ir a outro aqui perto de casa também, que parece ser melhor, e tento me matricular lá também... afinal, não to fazendo mais nada mesmo. E por falar em não fazer nada, foi designado que meu dia de faxina da casa é segunda e sexta... lereee lereee, lererererereeeeeee. Ou seja, como já passou da meia noite, hoje é dia de Maria(nossa, que machista... rs, de João também). Voltando... Sai do centro e voltei para casa, almocei arroz, tomate e um omelete que fiz com a carne moída do nhoque, porque pra variar, errei a mão e fiz pra 5 cabeças. Ficou uma delicia! Terminei de comer e fui mudar a arrumação dos móveis do quarto com a Néia, porque amanhã o sobrinho de 18 anos de uma amiga dela chega pra passar uma temporada com a gente. Arrumação feita, me troquei e fui a Sondrio, na casa do Alain e da Marcinha pegar parte das minhas coisas. A saga... sai de casa e... Calote, o último dos moicanos. Cheguei na metropolitana e fiz o abonamento da minha tessera, ou seja, coloquei o valor mensal para andar a la vontê pelos transportes da cidade, sem mais calotes. Da estação que eu tava, chamada Sesto Primo Maggio, linha vermelha, fui até a estação do Duomo, onde tinha que pegar a linha amarela, indo para Maciachine. Pra variar me perdi, e advinha, consegui me virar sozinha de novo. Pedi informação para um senhor, que me explicou e o melhor, entendi tudo. No final eu disse um agradecimento novo que a Elaine me ensinou: ”Grazie mille”. Me achei, fiz a baldeação, peguei o metrô e desci na estação de Sondrio. Caminhei umas 3 a 4 quadras até chegar no apt deles. Chegando lá me deparei com aquele probleminha que havia relatado, a mala preta estava com cadeado e não sabia onde estava a chave. Procurei bagarai e não achei. Entao resolvemos arrombar, mas me deu tanta pena porque a mala era novinha, então entrou em cena o nosso vilão dos bancos imobiliários, Alain. Nascido e criado no Carandiru, Alain, com ajuda da Marcinha conseguiu abrir meu cadeado usando apenas dois grampos de cabelo em tempo record. Foi a minha sorte. Fiquei tão empolgada em rever minhas coisas que resolvi levar para casa as duas malas, a azul e a preta, com uns 30 quilos no total. Ele me ajudou com as malas até o ponto de ônibus, onde nos despedimos e ele me ensinou um caminho novo para chegar até minha casa. Desci no ponto que havia me dito para pegar outro ônibus, o 700. Passei com as malas por cima do pé de uma porrada de gente, nunca disse tanto “scusi”. Procurei o ponto mas fiquei insegura, tentei ligar para ele mas não me atendeu, então, fui eu, megapower independente perguntar a um velhinho onde eu pegava o ônibus, e o velhinho me perguntou Dov´è eu ia. Respondi que ia pra Sesto San Giovanni, e ele me disse que era pra pegar o metrô. Ele até me elogiou, disse que eu tava bem informada, porque tudo que ele me dizia eu completava, rs. Pronto. Perdida, duas malas ultrafodasticamente pesadas, cansada e p... da vida fui descer a mega escadaria do metrô. Nossa, que saudade do meu Brasil nessas horas. Nenhuma alma pra ajudar, nenhuma. Fiquei impressionada. Não é que o povo aqui seja mal educado, acho que falta neles quem os eduque, com relação a relacionamento interpessoal. Eles ainda me olhavam do tipo... “Sai da frente cacete, atrapalhando minha descida”, quase que mando um belíssimo “Va fan Culo”. Cheguei na estação, entrei com as bagagens, desci as escadarias absurdas do metrô até o embarque. Mas quando cheguei percebi um possível erro. Não seria naquela plataforma que eu embarcaria.... pqp. Tive que subir tudo de novo. Malas nas mão, pés e dedos roxos de tanto cair as malas neles, pescoço doendo litros... aff, só acontece comigo. Mas calma que a parte mais triste ainda não chegou, não se anime não. Depois de subir, achei a plataforma certa, desci carregando as malas e pronto, já estava chegando o metrô. Cheguei na minha estação, desci, subi de escada rolante, mas na hora de sair que foi o problema. A metropolitana que desço é ligada a estação de tram (tipo trem, rs). Na hora que fui sair, o funcionário do metrô, filho de uma mamma saliente, não queria me deixar passar pela passagem de deficiente. Será que ele não entendia que não tinha como esse corpo moreno, cheiroso e gostoso passar com duas malas gigantes e pesadas pela brechinha destinada aos passageiros. Enfim, consegui fazer a mula italiana entender que era humanamente impossível dar uma de railander e passar pela uscita normal e abrir a passagem pra mim, mas consegui, porque Sono Cosí, rs. Ele apontou para a mala e disse algo sobre o corredor que liga o metrô ao tram, e pensei que ele estava dizendo que la tinha escada rolante, ou algo assim para subir com as malas. Chegando lá, o desespero. Olho pra cima e só vejo uma .uta escada na minha frente. Quase comecei a chorar, mas calma que a parte realmente triste ainda não chegou... rs. Olho para os lados e nada para aparecer a merda de um italiano educado pra se oferecer a ajudar. Cacete, cadê a generosidade desse povo? Eu me perguntava quando se aproxima de mim um jovem rapaz, estatura mediana, cabelos alourados, olhos claros e um belo sorriso se oferecendo para ajudar. Deus é bom demais, rs. Logico, aceitei prontamente. Ele subiu com uma e eu com outra. Ele com a mais leve e eu com a mais pesada, mas tudo bem. La em cima agradeci com meu mais novo vocabulário: “Grazie Mille”. Fui andando, arrastando, tropeçando, rolando, até a parte dos ônibus, que é ao lado. É como se fosse um ponto final. Lá, haviam 2 possiveis, o 729 e o 222. Como o 729 aparentava demorar, escolhi o 222 porque lembrei que ele passava em frente a meu prédio e eu o pegava para ir para a metropolitana. Pra que?! PQP, ele entrou em uma rua que desviava do caminho que eu tinha que ir. Prenotei a porra da fermata( vulgo puxei a cordinha, apertei o botão de pare) e ele parou no ponto pra mim. Nessa altura, tinha uma mulher no ônibus olhando pra mim com uma cara de caridade que até eu me dava uma esmola. Desci meda revoltada, me xingando de tudo quanto é nome, atravessei a rua quase me batendo, e, pra variar, quando chegava no ponto de ônibus correto, o meu ônibus ia saindo. Beleza, era só o que eu precisava. Esperei a porcaria do outro 729. Chegou rápido, pelo menos isso. Entrei, enfrentei mais olhares de caridade, dó, mas não compaixão e segui em frente na luta. O certo seria descer um ponto antes do que tem ao lado do meu prédio, que é até onde meu abonamento da tessera da direito, mas resolvi seguir até o ponto que eu queria descer pensando: Se algum fdp de fiscal me parar, pode até me multar, mas que ele apanha muito antes, aaaaa, isso ele apanha. Graças a Deus não precisei ser agressiva a esse ponto. Cheguei no prédio, subi e fui comer algo, já eram 18:30 e minha ultima refeição havia sido há 6 horas. Comi e fui começar a organizar meu armário novo, já que a Eliana foi hoje terminar de levar a mudança dela. Consegui terminar de arrumar tudo quase agora, 1h da matina. Vim pra cozinha, fiz um kinojão, sentei exausta na cadeira e to aqui, morta viva desabafando meu dia literalmente pesado. Preciso muito ir dormir, são 2h16 e amanhã é dia de Maria. Fiquem com Deus e buona sera pra quem é de sera e buona notte pra quem é de notte.
Rossetto Rosso Girasole

Um comentário:

  1. UFA!
    Até eu me senti exausta.
    Ainda bem que houve um final felice.
    Enfim,devo concluir:
    Viva el Pueblo Brasileño!!!
    Bacio e buona notte.

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