sábado, 26 de setembro de 2009

Dia 25-09-2009

Io sono italiana; Io sono brasiliana; Io vado a Milano; Una birra piccola; Pulman per centrale, per favore. Com esse vasto vocabulário cheguei aqui... Milano! Hoje completo 24 horas nas terras italianas e pronta pra começar a contar a minha saga culturale. Pouco dinheiro na mão, mochila nas costas, armada com um passaporte azul, um vermelho e um guia de conversação resolvo partir para Itália em busca de novas experiências, vivencias e historias pra contar. Dia 24 de setembro, 8:30 da manhã chego para embarcar através do aeroporto do Recife. Entre o corre-corre e muita expectativa chega para me conhecer e dar um “a doppo” o pai de Antônio, meu primo que conheci há cerca de 4 anos atrás, e que já esta há 2 aqui na Itália. Apesar de muitas fotos, gargalhadas e surpresas é preciso partir. Decoles, grande amigo, me pega no colo e me leva com muito custo até o portão de embarque. Não sabíamos se riamos da tão bizarra cena ou se chorávamos por nos aproximarmos daquele divisor de tempos. Chegamos! Como não podia faltar, lágrimas, muitas delas e em meio aos abraços ouço: Senhora Lívia Andrade, se apresentar ao portão de embarque da Tam! Cooooorre, perdi a noção do tempo. Exugo as gotas, passagem na mão e pé na estrada(ou na rota). Yeah, só faltava eu pra embarcar “scusi”. Entro e sento na minha devida poltrona. Agora aperte os cintos porque a viagem realmente vai começar. Foi uma viagem longa e regada a choro e risos resultantes da carta de Francimária, rs, dores no ombro por causa do belo estabaco que levei na casa da vó da Dri, e muito Caio Fernando Abreu. As 14 horas, como combinado estava desembarcando no aerporto do Galeão, no RJ, minha primeira conexão, e avisto de longe a magrela mais gostosa da minha vida. De faixinha lilás no cabelo, com o telefone na mão(só pra variar) e a minha chupa dedão a tira colo encontro Titi, minha grande irmã de coração e comadre. Aiiiiii que saudade da porra! Pra variar e não perder o costume, a Bruna chega atrasada, 2 minutos, mas atrasada. Bruna, minha grande amiga do Rio, eu, Titilis e Laricota da dinda subimos para que eu pudesse comer algo e tomar aquela boa e velha cervejinha, mas assumo, não agüentei. A noite anterior havia deixado resquícios etílicos. Conversamos, rimos, imaginamos como seria a minha vida italiana. Mais uma vez, chegou aquela maledita hora, a partida. Dessa vez no portão de embarque da AirFrance(ai que medo, rs) mais choros, mais juras de amor e muitos olhares na tentativa de guardar a última imagem. Os pedidos de desistência da viagem foram fortes, a tentação também, mas não tinha jeito, minha mãe me mataria... rs... Último adeus, último ciao. Estou estou na fila da PF quando me chamam para verificar meu passaporte. Tudo ok, pergunto, tudo sim, responde, mas corra porque seu vôo já ta saindo! Pqp, pensei, eu mato a Bruna se eu perder esse cocô. Cheia de bagagem de mão consigo enfrentar a última fila formada para entrar no avião. Impedidos de prosseguir, a polícia para todos e nos manda colocar a bagagem toda no meio do corredor e que encostássemos na parede até que os cães guarda passassem para verificar se alguém transportava entorpecentes. Haviam muitos PF´s, por isso imaginei que fosse treinamento de novos policiais ingressando na corporação, só que mais tarde ouvi rumores de que havia uma denúncia de que alguém transportava droguinhas na bagagem. O francês que estava atrás de mim só sabia falar com cara de quem chupou limão, por isso deduzi que ele xingava, e xingava muito, só não posso afirmar porque não entendo uma palavra em francês, só J´emevo, rs. Entramos e mais uma hora se passou até que o avião realmente levantasse vôo. Ao meu lado estava sentado um menino chamado Gustavo. Estava indo passar só 4 dias na Itália a passeio, e foi graças a ele que consegui me virar dentro do avião. Não ria não porque acredite, a dificuldade já começa ali. Primeiro que o português dos comissários é péssimo, segundo que a telinha da TV em frente deveria vir com manual de instrução, terceiro que era ele que garantia meu lanchinho quando as aeromoças passavam e eu estava dando um cochilo( que foram pouquíssimos por sinal). Foi um vôo tranqüilo, tirando a mulher que desmaiou bebinha bebinha ao lado da fileira da minha poltrona, e umas duas quedas de uns 3 metros que o avião deu no meio da noite por causa de turbulências. Não queira imaginar a sensação, é bem pior. Eu estava em pé nesse momento e todos seguraram onde conseguiam para não cair no chão. Resolvo então voltar pra poltrona e sentar meu bumbum para rezar até a próxima conexão. Cidade Luz, Paris. Minha conexão demoraria 1h30min pra acontecer, mas como meu vôo atrasou 1h15 cheguei na correria e descobri que apesar de ser no mesmo setor a conexão, aeroporto era imennnnnnnnso e exatamente na outra extremidade o portão de embarque. Procurei, procurei, procurei até conseguir encontrar um rapaz da airfrance que me ajudou muito. Me passou na frente em todas as filas, fui xingada em todos os idiomas possíveis, esteja certo disso, rs, e ainda tive que passar na porcaria d um detector de metal descalça, porque minhas botas tinham que passar no raio x. Mais essa barreira e estava eu lá, de novo, novamente, outra vez, ultrabigmegasuperpower atrasada pra embarcar. Era tanto Scusi, permesso, Excuse me, perdoname, licença, sai da frente carai... e cheguei. Agora tem mais uma horinha e meia de vôo e chego em Milano. Desta vez um casal de senhores aparentando ser espanhóis sentam ao meu lado. Foi apontar a aeronave pra cima que nós três caímos no sono e só acordamos quando estava no momento de colocar a poltrona na posição vertical, eram por volta das 12h. Desço do avião e tomo o ônibus que nos leva ate o saguão de desembarque. Foi La, exatamente lá que dava inicio a minha primeira raiva italiana. Entro no saguão e vou feliz e contente pegar um carrinho pra colocar minhas malas, quando reparei que todos são unidos por uma espécie de corrente que há em cada um dos carrinhos. Assim, a corrente de um carrinho encaixa em uma entrada que há em outro. Para conseguir tirar a corrente é necessário que se coloque uma moeda de 1 euro no próprio carrinho. E lógicamente, eu não sabia disso. Daí quando percebi que o esquema era esse não adiantava pra mim, eu só tinha moeda brasileira, e negando minha raiz, não tentei encaixa-la, rs. Demorou para que as bagagens do avião chegasse na esteira. Passa uma, duas, três, ops, la vem a minha, não é, cinco, vigésima sétima, nonagésima oitava, e nada. Pensei: só me faltava essa. Quando olho, um montão de gente também ficou sem bagagem, e um povo gringo lá se encaminhou para um guichê, pra não ficar parada com cara de ovo cozinho fui também. Na fila encontro uma mulher tentando falar com a outra em espanhol e, como sou assim, fui me meter na conversa e tentar perguntar pra ela se a dela também havia extraviado e começamos a conversar. Ela me perguntou de onde eu tava vindo, e respondi Brasil, e ela falou: Aaaaa, você é brasileira(em bom e claro português... rsrsrss), no mesmo momento mais dois meninos atrás se manifestaram: Eu também.... Eu também! Puts, brasileiro é a peste, tem em litro em qualquer lugar. Fomos então, nós quatro resolver o problema. Fomos avisados de que nossa bagagem ficou no Charles de Gaule, em Paris estava sendo encaminhada pra cá através do vôo que só chegaria as 15h30. Saimos todos e fomos para fora do desembarque para esperar as phynnas das malas chegarem e a mulher que estava conosco parou para perguntar ao PF italano se podíamos voltar por aquela porta de saída, e ele simplesmente ficou sentado e parado onde estava, olhando pra nossa cara com cara de lombo e não respondeu. Como assim não responde? Ele é assim, estúpido. Como havia marcado com a Marcinha, uma menina que conheci, de me pegar na Centrale as 12h, porque no caso, se tudo tivesse dado certo eu teria chegado as 11h, eu fui procurar um cartão pra avisa-la da problemada que havia dado. Quando achei onde se comprava cartão telefônico, a ragazza me vendeu um cartão de 10 euros pra fazer ligação. Após 45 min tentando ligar fui reclamar que algo estava errado, quando uma outra vendedora me explicou que o cartão que eu havia comprado era só internacional. Pqp, quase cometi um homicídio seguido de suicídio. Querendo matar a mulher por me vender a porcaria do cartão que era só internacional, e me matar por ter pago em uma droga de cartão 28 reais, que mais tarde descobriria que só dava pra falar 7 minutos. Enfim... ela me disse que era só colocar uma moedinha de 1 euro no orelhão que eu faria a ligação, e trocou pra mim uma nota por moedas. Me encaminhei ate o bendito telefone e coloco a moeda, feliz por descobrir a forma certa de ligar. Depois de discar o número vejo que o telefone diz na tela que não tenho crédito (em centavos) pra ligar. Nosssa, 2,80 reais é não ter crédito? Ta, eu tenho que parar e converter, mas até agora ta difícil. Daí, numa tentativa desesperada, tentei tirar a minha moedinha, rica moedinha, do telefone mas não conseguia. Soquei o telefone, enfiei a unha no buraco, pulei pra v se ela ainda tava la e, finalmente, tentando arrancar a parte que se coloca a moeda apertei no que parecia só enfeite do telefone. Mas não enfeite, era o botão que se aperta pra moeda cair e o credito computar. Genial, rs. Consegui ligar e a Cris, a outra menina que mora com a Marcinha, já estava me esperando há 2 horas. Combinei então que quando chegasse na Centrale pegaria um táxi até a casa dela, e fui informada que daria no máximo 12 euros. Nessa altura a fome já era monstra, mas como em todo aeroporto, tudo era extremamente caro. Tomei só um suco de laranja, que me custaram 4 euros, e conversando com os brasucas que estavam esperando também o tempo passou rápido. Hora de pegar as malas. Um dos meninos que estava conosco me ajudou muito. Carregou pare da minha bagagem, já que ele tinha pouca e pegamos um ônibus, de 7,5 euros até a Centrale. Compramos o ticket dentro do aeroporto de Malpensa e nos dirigimos onde a mulher informou que seria o lugar para pegar o ônibus. Chegando lá, haviam dois, foi quando perguntei para o senhor que colocava as malas no bagageiro: Pulman per Centrale? E ele respondeu que sim, mas acredito que não tenha observado o ticket na minha mão. Quando fui entrar, o motorista disse que era no da frente, e tive que pegar minha bagagem d volta. Nossa, o grosseiro do cara do bagageiro foi tirando minhas malas e as jogando literalmente no chão. Daí ele parou de pega-las e foi colocar a de um casal que chegou. Começou a colocar a bagagem na frente das minhas que ainda estava dentro, foi quando apontei pra elas e disse que eram minhas também, só que nesse mesmo momento ele meteu a cabeça na frente e eu sem querer tirei um lado do óculos dele. Nooooooooooooossa, pra que. Começou a gritar comigo e balançar aquela mãozinha característica d italiano, foi quando pensei: Enfim, Itália, agora realmente cheguei. Daí não resisti, neta legitima de dona Valda, tive que responder: “Agora deu, e tu acha que a pessoa faz isso querendo é... ouxi”. Sai andando em direção ao outro ônibus onde o rapazinho do bagageiro era muito mais simpático, em todos os sentidos, rs. Alias, só um ps: Oh povo bonito, apa! Voltando... Entrei no ônibus com meu companheiro de percurso, sentei e esse foi um dos poucos momentos da viagem que consegui cochilar um pouco mais, até porque voar de AirFrance é tensão a toda instante. Desci do ônibus e fomos ate um ponto de táxi. Quando chegamos la não havia nenhum carro, então me despedi dele e agradeci a ajuda. Fique aguardando uns 5 minutos quando um taxista novinho todo boyzinho chegou num Mercedez velho e disse que a corrida custava 15 euros. Tentei chorar, negociar, apelar, mas não deu certo. Ok vai, pra quem já passou por tudo isso, deu 15 rindo. No caminho ele veio puxando assunto e de repente veio a mais temida pergunta: Dove sei? Com receio, respondi: Sono brasiliana. Na mesma hora, ele abre um sorriso de quando a gente encontra coca-cola gelada, com 3 pedras de gelo e uma rodelinha de limão no deserto, e falou: “Que bella”. E eu agradeci constrangida e fingindo que aquilo era um elogio simpático. Durante o percurso trocamos meias palavras em italiano. Chegando no destino ele pergunta se eu queria sair pra dançar, vê se pode, sair pra dançar... pensei: Ele só pode ser cearense. Disse que havia voado 12 horas e estava muito cansada, que não estava disposta pra sair. Prontamente ele pega um papel no bolso, escreve o telefone de contato dele, me entrega e diz que se chama Ricky, e que caso eu quisesse sair era só ligar. Eu? Ligar pra ele? Nem pra outra corrida. Cheguei no apartamento e a Cris estava lá com uma amiga, que acho que se chama July. Entrei, fiz uma horinha e fomos encontrar Marcinha para que elas pudessem comprar uma blusa. Pegamos um ônibus, meu primeiro ônibus urbano milanense, meu primeiro calote italiano. Pois é, aqui eles esperam que as pessoas ajam com boa fé, entrem no ônibus e encostem o cartão magnético em alguma das maquininhas espalhadas. Mas, como eu não sabia, não o fiz. Na verdade, para se andar de ônibus, ou você compra esse cartão pago mensalmente, que te da o direito de andar livremente pelo metrô e pelo ônibus, ou você paga no metrô o bilhete e anda pelos dois transportes por 70 min, eu acho. Descemos e pegamos o metrô, não tive escapatória, ai se foi mais 1 euro, rs. Encontramos a Marcinha logo onde?! No Duomo... noooooooooooossa, imagine uma praça bonita, é mais. Linda arquitetura, lindo lugar, lindas pessoas, até os pombos são lindos. De la entramos em várias lojas e vi que a tia Rejane tinha razão, aqui é um ahhazzo. Calças jeans lindas por 19 euros. Blusas perfeitas por 25 euros (isso porque tava caro). Recado: Sales e Biágio, deixarei de ser patricinha não praticante, acho que vou voltar a praticar muitooo...rs. Voltando... Rodamos, entramos no Mc Donalds e fomos pra casa. Chegando lá conheci o Bruno, um dos meninos que moram com a Cris e a Marcinha. O outro é o Alain, que estava na Suíça em uma missão secreta, rs. Conversamos um pouco, tomamos banho, jantamos e partimos pra minha primeira noite aqui, bote Gioia. Segundo calote, rs. É muito engraçado ver como as pessoas se comportam, se vestem, conversam. Os homens ou te comem com os olhos ou chegam em você dançando alucinadamente. Curtimos a boate e voltamos cedo, estávamos exaustas.
Rossetto Rosso Girasole

4 comentários:

  1. Muito bom!!! To adorando tudo!!! rsrsrs

    beijao

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  2. Maravilha!
    Amei assim como amo você!
    Os erros que você mencionou justifica-se,afinal agora você só domina a língua ITALIANA kkkkkkk
    Beijim

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  3. :D
    ahh, só assim vou saber de vc sem precisar criar orkut hahaha
    bjo, amiga, se cuida e se diverte por mim tb :D

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  4. Finalmente a velha e boa lívia estará de volta, nada de ripongas as patricinhas são as melhores. Por falar nisso será q tem um jeito de fazer comprinhas ai e me mandar??? rs

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