domingo, 4 de outubro de 2009

Dia 03-10-2009

Tinha tudo pra ser o pior dia. Tinha, mas não foi. Comecei meu dia com a Camila me acordando as 8h perguntando cadê a mãe dela, a Néia. Ave, jura que isso ta acontecendo? Daí respondi que ontem a mãe dela disse que ia na feira. Quando pensei ter resolvido o problema vem ela e me pede o impossível: “Lívia, tem como você pegar o meu ratinho em cima da estante da cozinha?”. Que? Ta de brincadonha que eu vou levar 8h da manhã, num sábado, pra pegar ratinho na estante... piada né. Virei pro lado e voltei a dormir sem cerimônia. Acordei as 13h, levantei, fiz o almoço, tomei banho e parti para o parque. Para chegar no parque tenho que passar pelo Castello Sforzesco. Quando estava entrando vi que havia uma porta aberta e resolvi entrar para ver uns livros que estava a venda. Quando reparei que na verdade eu estava na entrada do museu do castelo, uma senhora se aproximou, me deu um ingresso e disse que a ultima hora do museu era de graça, então eu poderia entrar sem pagar. Nossa, foi a felicidade. Entrei e foi uma sensação inexplicável. Eu na faculdade tive uma professora de artes chamada Socorrinho, e um dia ela disse que chorava quando via quadros famosos e tal, e a turma ria dela. Gente, chorei litros no museu. Noooooossa. Lá estava exposta a obra La Pietá Rondanini, de Michelangelo Buonarroti, La Madonna con Banbino, de Francesco Galli, armas dos guerreiros Romanos, entre outras relíquias e obras. Depois de rodar todo o museu no meu dia mais sensível nas terras italianas saí em direção ao parque. Logo na chegada escutei uns toques de tambor e fui caminhando na direção em que meu sentido auditivo me guiava. Era um toque bem familiar com vozes de fundo. Após a primeira curva, entre árvores e o tapete verde estava a tão conhecida roda de capoeira. Pra que? Foi me aproximar que desagüei, rs. A saudade bateu fundo e a vontade de ter por perto as pessoas que amo foi mais forte. Um rapaz que estava na roda veio falando comigo num italiano bem brasileiro pra bater palmas, mas eu tava cheia de livros de italiano pra estudar la, e eu disse em português: “Não consigo”, e sorri. Ele riu e disse, “é brasileira né, vem jogar aqui na roda comigo”, e eu, envergonhada que sou, rs, recusei o convite. O mais engraçado era que o grupo de capoeira se chamava Sul da Bahia, e em toda a roda só haviam 2 negros, que nem eram tão negros assim. O resto era clarinho, olhos claros e cantavam em português. Todos italianos, jogando capoeira, cantando em português, logo pensei: “cadê os negões do sul da Bahia”, rs. Fiquei mais uma meia hora la parada, lembrando como é linda a cultura brasileira. Sai de la e me sentei debaixo de uma árvore que havia perto. Sabe aquelas cenas de filme de pessoas no parque, estudando na sombra de arvores? Me senti a protagonista, rs. Estudei um pouco e depois de um tempo Alain e o Bruno chegaram por lá. Ficamos um tempo conversando e depois de minutos Marcinha também aparece. Ficamos cerca de meia hora conversando e começou a escurecer e esfriar. Detalhe: aqui escurece muito tarde. Saimos e passamos em uma loja bem grande que há aqui para vermos preço de casaco. Seguimos em direção ao Duomo, e no caminho passamos por uma praça em que tava tendo um show de fogo com jovens evangélicos. Muito legal. Lá também havia um brasileiro assistindo. Quando chegamos no Duomo estava havendo uma exposição de carros antigos. Lindos, mas não me atraem, rs, num vo minti. Esperamos a Marcinha bater fotos dos carros e fomos embora. Peguei o metrô e um homem, aparentemente marroquino não parava de me olhar. Aqui os homens, principalmente marroquinos, indianos e egipcios te olham que chega a dar medo. Eles não olham, viram, e olham de novo. Eles olham e olham e olham, e não adianta vc virar o rosto, fingir que não ta vendo, eles simplesmente não param de te olhar nem um segundo. Literalmente ficam te encarando. Fingi que não estava vendo o sem noção do cara e continuei estudando dentro do metrô. Cheguei na estação e desci. Ele também desceu. Sai do metrô e fui direto para o ônibus. Advinha?! Ele também. Pqp, fiquei calma, respirei fundo e pensei: “Vou gritarrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr”, rs, mentira. O ônibus demorou um pouco e partiu. Minha casa são 3 fermatas após a metropolitana, então já com a chave na mão fiquei aguardando alguém fazer o sinal para o meu ponto, e não dei nenhum sinal que ia descer ali. Quando o ônibus parou e a porta abriu, levantei e desci correndo. Atravessei rapidamente a minha rua e entrei no prédio. Ufa! Aqui não há muito problema de assalto, o maior perigo na verdade é estupro. Por isso é necessário ficar bem atenta. Cheguei em casa e me bateu uma depressão pós dia sozinha, rs. Peguei um sorvete, meu chantily e a cada mordida eu fazia um metro de chantily em cima do sorvete. Matei meu sonho de espirrar chantily direto na boca. Eu não sabia se chorava de saudade ou ria de desespero. O Sidney e a Eliane riam de mim, porque cada mordida eu falava:”To depressiva!”... kkkkkkkkk. Entrei no msn e fiquei conversando um pouco com o povo, mas logo cai. Tenho que ligar pro dono da internet pra pedir pra ele aumentar o alcance, ta ruim demais, rs. Internet 3Gato. Voltando... eles sentaram aqui na sala e Henrique chegou da rua. Ficamos conversando e umas 22h30 meu telefone toca. Heim?! Quem será que ta me ligando? Atendi, ”Alô”, do outro lado da linha falava:”iasdushfnsjdlkfnlsidufhsdlfhn, amico Antonio”. Entendi então que era o amigo do meu primo Antonio que estava me ligando pra me chamar pra sair. Cadê a depressão?! Rs, passei o telefone pro Sidney combinar pra mim o horário e fui me arrumar. Por volta da meia noite ele liga falando que não estava conseguindo chegar aqui porque não estava achando, e então o Sidney e o Henrique foram me levar até onde ele estava, até mesmo pra conferir que eu estaria bem. Meus seguranças, rs. Ele estava em um posto de gasolina próximo, e chegando la, alem do amigo do Antonio ainda estavam mais 2 amigos deles, um egipcio e um italiano. Eles conversaram um pouco com o Sidney e com o Henrique e logo saímos. Levei comigo um dicionário, pra se por acaso rolasse aquele silencio mórbido, rs. Mas nem precisou. Consegui desenrolar um pouco meu italiano, e como eles não falavam nem espanhol, ou era italiano ou era italiano. Rimos litros. Chegamos em uma boate chamada Noir, que fica quase em Monza. As boates aqui sã naquele esquema de nome na porta ou então o segurança que escolhe quem entra, ridículo mas logo entramos. Que boate linda, pqp. Assim que entramos o egpcio me pergunta se eu quero guardar minha borceta no guarda volumes, pra que? Ri, ri, ri pra me acabar e ninguem entendia nada. Chorei de rir e nao conseguia parar. Mesmo ja sabendo da existencia da palavra, o menino me pegou de surpresa na pergunta. Expliquei a ele que a palavra era similar a uma outra em portugues e pronto. Entramos. Dançamos muito, conversamos muito, rimos muito. O povo aqui dança alucinado, impressionante. Vocês não sabem o hits do momento... a boate explode na hora que começa a tocar: ”Morro do Dendê é ruim de invadir... parapapapapapa papapapa”, o povo endoida. Acho que daqui uns 7 anos chega aquela musica: “Cada um no seu quadrado, cada um no seu quadrado”, rs. Saímos umas 4 da manhã de lá e eles me trouxeram em casa. Dormi super feliz.
Rossetto Rosso Girasole

4 comentários:

  1. Lívia, tudo bem ? Sou filha de Pedro, lembra ? ele me falou de você bastate antes de viajar, comentou que você foi morar em milão, e pretende fazer jornalismo ... fiquei até assustada, porque era exatamente tudo que eu sempre sonhei em fazer . queria muuuuuito conversar contigo se fosse possível, me adiciona no msn, quando tu puder, maagrelli@hotmail.com . ando lendo teu blog aos pouquinhos, to adoooorando vale ressaltar . Beijão tá ?

    ResponderExcluir
  2. Olá!!! Estou comentando como forma de estímulo aos próximos capítulos!!! Estão excelentes!!!! Aguardo anciosa!!! rsrsrsrs...

    ResponderExcluir
  3. Tive que comentar esse!!!
    PQP só pra te lembrar um velho ditado!!!
    Qnd o estupro é inevitavel, relaxa e goza!!! rs


    Quero ir prai!!! Com essa vida mansa q vc ta eu tb quero. Vida de turista da porra, e ainda vai pra boate, imagina qnd chegar a dança do creu ai!!! rs

    BJUS
    AMO-TE
    SDS

    ResponderExcluir
  4. Ri muito também só de imaginar a cena:
    " Per favore coloque sua BORCETA no guarda volumes" kkkkkkkkkkkkk
    Viu com não era estória da tia Soninha?
    Vejo que entre castelos e lindas paisagens só me resta dizer:"Ti amo principessa, sei l'amore della mia vita"
    Fique com Deus e lembre de agradecê-lo todos os dias!

    ResponderExcluir